sábado, 4 de dezembro de 2010

[Poemas] Sociedade de histórias encantadas e fantuchadas


Sou um eterno sonhador
De noites mal dormidas,
Sou um mero expectador
De experiências sofridas,
Sou eu, alguém que sonha,
Um crente, um triste talvez,
Nesta vida estranha e enfadonha
Onde o sorriso é maior escassez.

Os três porquinhos
Vivem em bairros de lata,
Sonham como pequeninhos
Enquanto o lobo mata,
O lobo, o maior traficante,
Vive uma vida de lorde,
Placas de droga numa estante
Do lobo que já não morde.

O pequeno capuchinho vermelho
Pôs a avozinha num lar errado,
Já nem se olha ao espelho
Com a vergonha do seu passado,
Dá-se ao lobo mau a qualquer hora
Em troca de alguns poucos tostões
Deitou sua vida e beleza fora
Em troca de tão fáceis cifrões.

Robin dos bosques tinha a sua graça,
Agora rouba para si próprio,
Deixou a floresta na desgraça,
Criou até um problema sério,
Traiu todos, até os amigos,
Na necessidade deixou-os na mão
Em troca de meros artigos
E da história é essa a lição.

São as "histórias de adormecer"
Que nunca nos deixam dormir
São sortes e azares sem merecer
Que mal nos fazem sentir
Não há grandes super-heróis
Nesta história de actualidade
Lebres são lentos caracóis
Com burocracias da sociedade.

2 comentários:

  1. Está lindo! *_*
    Ao início fez-me confusão ter lá os 3 porquinhos e o capuchinho vermelho, mas com o avançar do poema fui compreendendo e vendo a magia deles no poemas. Muito bem escrito! Parabéns! :)

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  2. Perfeita ligação entre histórias, que não passam disso, de histórias. As que nos fizeram, mas que continuam actuais como quando as lia-mos. Adorei *.*, como sempre.

    Da tua mana.

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